Curitiba terá mais 200 novos radares dos modelos “espertos”; Máximas variam entre 30 e 70 km/hora

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A prefeitura de Curitiba vem anunciando o funcionamento de novos radares de trânsito quase que semanalmente. Atualmente, são 53 locais da cidade com fiscalização eletrônica fixa (radares). Em muitos desses pontos, além do limite de velocidade, os equipamentos são programados para flagrar invasão de faixa exclusiva para ônibus e avanço de semáforos. São os chamados novos radares, mais espertos, que servem para inibir atitudes de motoristas infratores de uma forma mais inteligente e eficaz.

E os anúncios de novos equipamentos não vão parar por aí. Segundo a Superintendência de Trânsito (Setran), ao fim do processo de implantação de todos os radares previstos, serão 804 faixas de trânsito monitoradas em pontos estratégicos da cidade, o equivalente a cerca de 200 novos pontos com radares. Nesta quarta-feira, inclusive, mais um radar passa a funcionar na cidade. Fica na esquina entre a Marechal Floriano Peixoto com a Basílio Itiberê, no Rebouças, com limite de 40 km/h.

Além das novas funcionalidades dos equipamentos, as velocidades permitidas em diversas vias estão sendo revistas. De acordo com a Setran, as velocidades máximas das ruas variam de 30 km/hora a 70 km/hora, ou seja, os motoristas devem redobrar a atenção para as sinalizações e respeitar as indicações para evitar acidentes. Por causa dessas ações preventivas, segundo a Setran, desde 2011 a educação e fiscalização de trânsito conseguiu reduzir em 41,62% as mortes na capital.

Curitiba terá mais 200 equipamentos com o objetivo de deixar o trânsito na cidade mais seguro.
Sinalizados com placas, semipórticos e legendas no pavimento (no mínimo 100 metros antes do radar), todos os novos radares são informados à população antes do início da fiscalização, pelas redes sociais da prefeitura e da Setran. Na Linha Verde (BR-476), os equipamentos de fiscalização também flagram caminhões acima de 10 toneladas trafegando em horários proibidos (das 7h às 9h e das 17h às 19h).
Mas essa variação nas velocidades tem sido motivo de reclamação por parte de alguns motoristas de Curitiba. Nas redes sociais da Tribuna, há quem demonstre indignação com as novas sinalizações. Um motorista do Uber, há alguns dias, estava pistola porque em muitos trechos as velocidades variam de 70 km/hora para 40 km/hora, quase de uma hora para outra. Ele mencionou justamente a Linha Verde como exemplo, onde o motorista sai da via principal para a marginal tendo que reduzir a velocidade para 30 km/hora.
Enquete realizada pela Tribuna em janeiro apontou que os leitores acham que os equipamentos de fiscalização não deixam o trânsito da cidade mais seguro. Veja aqui o resultado completo da enquete!
E por que as ruas têm velocidades diferentes?
Segundo a Setran, que publicou uma série de perguntas e respostas para esclarecer dúvidas sobre o trânsito na capital, cada rua, avenida, travessa ou alameda tem a velocidade máxima determinada a partir de critérios técnicos embasados em legislação federal.
O órgão se defende explicando aos motoristas que “os diferentes tipos de velocidade não são especialidade de Curitiba, são replicados nas mais diversas cidades. Mesmo nas estradas há trechos em que a velocidade é reduzida. Isso porque todas as vias precisam se basear nas definições do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para definir seus respectivos planos de crescimento, planos diretores e de mobilidade”, aponta a Setran.
Ainda conforme o órgão, a velocidade máxima é definida com base na análise de “um grupo de servidores altamente capacitados, com formação e especialização na área de mobilidade urbana. Eles se orientam especificamente pelos artigos 60 e 61 do CTB, que tratam dos diferentes tipos de vias existentes. A prioridade é na segurança viária, de forma a proporcionar mais tranquilidade para todos que compartilham o trânsito”.

Campeão de multas
Em menos de quatro meses de funcionamento dos primeiros novos radares, que foram ligados em 2021, a Setran registrou um total de 7.973 infrações por avanço do sinal vermelho na cidade. A esquina das ruas ruas Antônio Gasparin e Pedro Gusso, no Novo Mundo, é o local onde a infração foi mais cometida, entre os cruzamentos com novo radar instalado. Segundo a Setran, o endereço responde por 36% do total do avanço no sinal, com 2.885 multas.

Este é um ponto bastante movimentado da cidade, que concentra grande fluxo de veículos, pedestres e ciclistas, e que ainda faz a intersecção com uma via local, a Rua Henrique Schuta.

“A Antônio Gasparin é uma via rápida de escoamento do tráfego para o bairro e importante via de ligação para a CIC. Neste cruzamento com geometria mais complexa e dificuldade de visibilidade, o respeito à abertura do semáforo é ainda mais necessário”, alerta a Rosangela Battistella, superintendente da Setran.

Mas e a grana das multas vai pra onde?
Segundo a Setran, o dinheiro arrecadado com multas de trânsito deve ser direcionado “à sinalização, à educação no trânsito, à engenharia de tráfego, ao policiamento e à fiscalização. Além disso, 5% do valor total deve ser direcionado ao Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset)”.

Ainda conforme a pasta, o CTB prevê no artigo 320 que “toda verba originada de multas deve obrigatoriamente voltar para o trânsito. Mas em 2016 houve a emenda constitucional nº 93, na Constituição Federal, que prevê que 30% dos valores arrecadados das multas podem ser desvinculados e utilizados para outras finalidades da administração pública até 31 de dezembro de 2023”.

Como já informou a Tribuna, o sistema de fiscalização de trânsito de Curitiba gerou em 2021 três vezes mais multas por habitante do que o de Porto Alegre. De acordo com números consolidados da Prefeitura de Curitiba, a capital paranaense arrecadou no ano passado R$ 119,3 milhões com pagamento de infrações de trânsito (valor que inclui penalidades emitidas por radares e por fiscais de trânsito). Aqui você acompanha a localização e início de funcionamento de todos eles.

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