O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal vai iniciar a retirada do subsídio à gasolina em função da queda no preço do petróleo. A declaração ocorreu na última quinta-feira (02), e a decisão foi publicada na sexta-feira (03).
A equipe econômica planeja realizar um corte parcelado do benefício financeiro, que atualmente soma R$ 0,44 por litro do combustível. O objetivo final das autoridades é extinguir totalmente a subvenção nos próximos meses.
Fim dos subsídios
Na última semana, o governo retirou um dos subsídios do óleo diesel, no valor de R$ 0,35 por litro. A Petrobras reduziu o preço do produto em quantia equivalente em seguida, o que evitou o repasse do custo ao consumidor final nas bombas.
O economista Lucas Dezordi comenta que o avanço nas negociações de paz no Oriente Médio impacta positivamente o preço do petróleo, levando o governo a retirar o subsídio
A gasolina foi o último combustível a receber o auxílio financeiro após o começo do conflito armado no Irã. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou na quarta-feira (01) que a empresa considera cedo para anunciar cortes no preço da gasolina. Ela afirmou que a estatal acompanha a tendência dos valores internacionais sem repassar a volatilidade externa para o mercado nacional.
Além da gasolina, o governo mantém uma subvenção diária de R$ 1,12 ao óleo diesel. A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) autorizou o repasse de R$ 2,2 bilhões para o diesel até o final de junho, mas o balanço apresenta parcelas em atraso. A agência pagou R$ 2,13 bilhões da primeira linha de auxílio (de R$ 0,32 por litro) e R$ 50 milhões da segunda modalidade (de R$ 0,80 por litro para o produto importado).
A Paranapetro, instituição que representa o varejo de combustíveis do estado, disse que somente distribuidoras podem importar combustíveis no Brasil e que, por isso, os postos dependem dos repasses para baixar os preços. Eles ainda lembram que as distribuidoras aumentam o custo do combustível com agilidade, mas demoram em trazer as baixas.
Imposto seletivo na reforma tributária
O ministro da Fazenda também debateu as regras da reforma tributária e o funcionamento do imposto seletivo. Esse tributo substituirá uma parcela do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e incidirá sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, incluindo cigarros, bebidas, apostas e automóveis.
O Ministério da Fazenda também pretende conversar com os segmentos afetados pelo novo imposto para propor uma transição. A meta da Fazenda é manter a carga tributária atual no ano de 2027 e debater o formato final da cobrança para o período que inicia em 2028.
Projeções para o PIB
Para Lucas Dezordi, as projeções de queda no preço do petróleo e o reestabelecimento de valores em torno dos 60 USD devem reduzir a inflação no Brasil.
Além disso, Dezordi lembra que é esperada a redução do preço do dólar juntamente com a queda do valor do barril de petróleo, voltando para patamares em torno dos R$ 5,00.
Durigan citou estimativas de mercado que apontam uma elevação de até 15 pontos percentuais no Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos 10 ou 12 anos. Ele ainda declarou que o índice pode superar essa projeção e informou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) comunicou que revisará para cima a estimativa de crescimento do PIB brasileiro para este ano.


















